terça-feira, 7 de setembro de 2010

Segundo caderno sem data e título

I

O mais complicado é gostar
Querer mais do que temos
Ver e sentir, podemos
cair depois de saltar.

Voar, abrir sem temer asas
ir p'ra onde pertencemos
Ter tudo aquilo que queremos
E ter sempre o que nos passa.

Mas nada é facil ou simples
Nada é o que se quer
Tudo o que se tem fere
Nada do que é certo existe.

II

A saudade pode até consistir na ausência de isqueiros BIC. Nesta terra nenhum isqueiro dura mais que dois dias e felizmente a vida dura mais que isso.

Estou debaixo da terra e estou sozinho, só quero o meu BIC branco e com as confissões que mesmo minhas mais tarde não vou conseguir ler.

Rodeia-me gente, rodeia-me o que p'lo nome define aparente falta de humanidade. Sim porque nem toda a gente a tem...mas quem sou eu para a julgar?

Falam, falam, falam. Dizem tudo numa língua que não percebo e só a voz da máquina me dá segurança pela sua repetição.

Porque me preocupo também? Tenho um isqueiro no bolso.

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