segunda-feira, 6 de setembro de 2010

sem data e título

I

Passa o tempo no café,
do costume entre gente
que varia com os dias.

Gosto da certeza das horas
que vêm incertas com o sabor
de um cigarro que quase
Não fumo porque escrevo.

Finjo que sou um poeta
boémio como antigamente
e dif'rente
dos que compõem este espaço
feio mas com personalidades ricas.

Sim,
É isto que faço sobejamente
enquanto sujo cinzeiros de uma forma
consecutiva.

Sou reles
sei-o defeito que estimulo.

II

Tanta gente! Que mistura! Até o Álvaro se sentiria aqui mais vivo. Á minha frente o casal descansa e só o homem exibe o anel, como se isso o tornasse um alvo mais decente. Ao meu lado o velho olha com olhos de choro - o olhar que só a vida vivida permite; cheio de saudade que assim defino sem ele perceber que o é. (porque somos tão tristes?).

No outro lado uma rapariga nos seus 16-17 anos carrega uma guitarra que tantas vezes já a carregou. Tem um cabelo estranho mas de um estranho que gosto. Lá de longe olha para mim uma miúda com ar de quem já é mulher; agia isto já os óculos de sol nunca mo permitiriam perceber. Entretanto o velho saiu e chegou um executivo filho de uma sopeira que não estimulou ou quiça o [ ].

Saissem. Saissem mais e a rapariga que há pouco referi soltasse o cabelo para mais tarde o apanhar.

O executivo lê um livro, de culinária, a comer entre dentes. Todos eles usam isto: nas receitas encontram um paralelismo com a sua vida profissional para melhor trabalhar com menor custo.

[]

Sem comentários:

Enviar um comentário